Em nota, o Conselho Federal
de Medicina (CFM) classificou como “eleitoreiro, irresponsável e
desrespeitoso” o anúncio de importação de médicos cubanos feito hoje (21)
pelo Ministério da Saúde. Para a entidade, a medida agride direitos
individuais, humanos, do trabalhador e ainda expõe a saúde da população a
situações de risco. “É uma irresponsabilidade trazer médicos de fora,
sejam cubanos, sejam brasileiro formados no exterior, sem a devida verificação
da competência técnica”, avaliou Roberto d’Ávila, presidente do CFM.
“O Conselho Federal de
Medicina condena de forma veemente a decisão irresponsável do Ministério da
Saúde que, ao promover a vinda de médicos cubanos sem a devida revalidação de
seus diplomas e sem comprovar domínio do idioma português, desrespeita a
legislação, fere os direitos humanos e coloca em risco a saúde dos brasileiros,
especialmente os moradores das áreas mais pobres e distantes”, diz a
entidade em nota.
Em maio deste ano, antes do
lançamento do Programa Mais Médicos, o governo brasileiro anunciou que estava
fazendo um acordo com o governo cubano, com o apoio da Organização
Pan-Americana da Saúde, para a vinda de 6 mil médicos cubanos que trabalhariam
nas regiões brasileiras mais carentes. Porém, em julho o governo lançou o
Programa Mais Médicos, que inicialmente só aceitava inscrições individuais.
Na coletiva à imprensa sobre
o balanço final da primeira etapa do Mais Médicos, que teve apenas 10% da
demanda atendida, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, voltou a cogitar a
busca de acordos com outros países e universidades para a vinda de médicos para
regiões que não atraíram inscrições individuais.
“Trata-se de uma medida
que nada tem de improvisada, mas que foi planejada nos bastidores da cortina de
fumaça do malfadado Programa Mais Médicos”, defende o CFM sobre a vinda dos
médicos cubanos. Para a entidade, o Mais Médicos divide a população em cidadãos
de primeira e de segunda categoria.