As organizações que lidam com a questão do meio ambiente no Rio Grande do Norte estão se articulando para fazer uma campanha junto a parlamentares para garantir os vetos feitos pela presidenta Dilma Rousseft ao novo Código Florestal, aprovado pelo Congresso Nacional. Os vetos da presidenta bem como a Medida Provisória n° 571/2012, que preenche as lacunas legais deixadas pelos vetos, resgatam o texto do código elaborado pelo Senado Federal e posteriormente alterado pela Câmara, principalmente no que se refere aos interesses de ruralistas e carcinicultores. Como a Medida Provisória liberou a utilização de 35% da área de apicuns para carcinicultura na região Nordeste e 10% na região norte, os ambientalistas querem o mapeamento urgente das áreas de apicuns do estado.
Para Rogério Câmara, presidente do movimento SOS Mangue, são necessários números definidos sobre a área de mangue no estado que só podem ser obtidos por satélite. Ele apela para a UFRN, IFRN e aos órgãos que lidam com o meio ambiente para um esforço em conjunto em torno do mapeamento dessas áreas. Além disso, os ongs ambientalistas também cobram do Ibama, Idema, Promotoria do Meio Ambiente e Procuradoria Federal a retirada e recuperação dos viveiros de camarão que se encontram em áreas de mangue.
Ele cita, por exemplo os estuários da Lagoa do Guaíra, Barra de Cunhaú, Arês e rio Potengi, onde não se sabe de praticamente nenhuma providência para a recuperação dessas áreas degradadas. “No Rio Potengi, por exemplo, a situação é até mais grave porque os viveiros estão situados no miolo do mangue, quando a legislação só permite uma distância de, no mínimo, 30 metros da maré”. Para o professor Rogério, o texto do novo Código não avançou na preservação do meio ambiente, pelo contrário, o anterior de 1965, chega a ser melhor. No entanto, os vetos da presidenta trouxeram um certo equilíbrio, não permitindo o retrocesso brasileiro.

