Começa processo de avaliação e acolhimento de profissionais estrangeiros que vão atuar no Mais Médicos

Começa nesta segunda-feira
(26) o processo de avaliação e acolhimento de todos os médicos com diploma
estrangeiro e sem revalidação que vão atuar por três anos em regiões carentes,
como municípios do interior e periferias das grandes cidades, pelo Programa
Mais Médicos. Os 644 profissionais que vão atuar na primeira fase desembarcaram
entre sexta-feira (23) e sábado (24) em oito capitais brasileiras: Porto
Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e
Fortaleza, onde terão terão aulas em universidades federais sobre saúde pública
e língua portuguesa.
A vinda dos profissionais
foi um dos pontos mais polêmicos do Programa Mais Médicos, já que eles não vão
precisar passar pelo Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos
(Revalida), que tem alto índice de reprovação e que é obrigatório para os
médicos com diploma estrangeiro atuarem no Brasil. Para as entidades médicas, a
não revalidação do diploma deixa a população sem garantia da qualidade dos
profissionais. Em vários estados brasileiros, médicos foram às ruas nos últimos
dias para protestar contra o programa.
Segundo a doutora em saúde
pública e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Lígia
Bahia, que foi conselheira do Conselho Nacional de Saúde (CNS), há experiências
internacionais que mostram haver maior incidência de erros em procedimentos
médicos cometidos por estrangeiros. “Dispensar testes de habilitação pode
ser uma medida emergencial e provisória. Para a população que vivencia uma verdadeira
via crucis para obter atendimento, a possibilidade de ter um acesso facilitado
é sempre positiva. No entanto, sem algum tipo de certificação de competência,
haverá dúvidas sobre a qualidade da formação dos médicos que se candidatarem ao
edital proposto pelo governo”.

O ministro da Saúde,
Alexandre Padilha, no entanto, defende que as três semanas de ambientação, nas
quais os profissionais estrangeiros terão aulas, em universidades públicas
federais, sobre saúde pública, com foco na organização e funcionamento do
Sistema Único de Saúde (SUS) e língua portuguesa, servirão também para os
médicos serem avaliados pelas universidades brasileiras, “podendo
inclusive ser reprovados”.

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