Após manifestações, Lula e Dilma vivem desgaste na relação

As manifestações de junho
não derrubaram apenas a popularidade da presidente Dilma Rousseff. Elas também
ajudaram a desgastar sua relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Petistas dizem que
“criador” e “criatura” estão muito longe de um rompimento,
e que errará quem apostar nesse desfecho, mas concordam no diagnóstico: a
ligação dos dois chegou ao ponto mais difícil desde que Dilma assumiu o cargo,
há dois anos e meio.
Nos bastidores do governo e
no próprio PT, a distância foi percebida e virou alvo de comentários.
Interlocutores de Dilma atribuem a aliados de Lula o vazamento de críticas à
atuação do Executivo durante a onda de protestos que sacudiu o país em junho. Interlocutores de Lula dizem
que ele considerou uma “barbeiragem” a decisão do Planalto de propor
uma constituinte para a reforma política sem ouvir o vice-presidente Michel
Temer (PMDB), mas consultando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB),
adversário do PT.
Também há queixas partindo
do governo. Uma delas: Lula chegou a sugerir a redução do número de
ministérios, embora tenha promovido o aumento do número de pastas quando era
presidente. Pessoas que falaram com o
ex-presidente nas últimas semanas o descrevem como “preocupado” e
dizem que volta e meia ele expressa incômodo com a “teimosia” e a
centralização da sucessora.

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