O Rio Grande do Norte está entre os cinco estados com maior taxa de analfabetismo do País. Dados do Censo 2010, divulgados ontem, mostram que o Estado avançou nos últimos dez anos – reduzindo em 26,5% a taxa de analfabetismo entre pessoas acima de dez anos – mas ainda não conseguiu sair da lista dos piores em alfabetização. No Brasil, onde 9% das pessoas acima de 10 anos não sabiam ler e escrever em 2010, a taxa caiu 29,6%. Para Aldemir Freire, chefe da unidade potiguar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o dado reflete a falta de investimento na área. Segundo ele, o RN levará, em média, 30 anos para atingir o percentual de analfabetos do País: 9%. “Para isso, precisará alfabetizar as crianças e os idosos”, explica Aldemir. Em 2010, 17,4% das pessoas acima de dez anos que residiam no RN não sabiam ler e escrever.
O estado fica na frente apenas de Alagoas, Piauí, Paraíba e Maranhão. O indicador, segundo Cláudia Santa Rosa, diretora do Instituto de Desenvolvimento da Educação (Ide), preocupa. “Nós, que lidamos com Educação, estamos preocupados. Esperamos sempre indicadores melhores. Mas isso não está acontecendo. Até quando comentaremos indicadores que nos expõe de forma negativa?”, questiona. Para reverter a situação, Cláudia Santa Rosa, defende que professores da educação infantil e das séries iniciais do ensino fundamental sejam capacitados continuamente e acompanhados. “Não é qualquer professor que pode dar aula para crianças de 6, 7, 8 anos. Alfabetizar não é só encher o quadro”, justifica. Para Cláudia, ou o RN capacita o professor ou nunca mudará esta realidade.